Uma história de 20 anos tem, certamente, altos e baixos, desafios, sucessos e muito aprendizado. Acima de tudo é uma grande jornada. E, no caso da Gávea Angels, foi uma jornada que deu certo, com mais acertos do que erros, acompanhando a evolução do ecossistema de startups no mundo, contribuindo para o desenvolvimento de seus associados e de suas startups ao longo do tempo.
Se no começo era preciso ir atrás de startups, explicar o que era um investimento anjo e oferecer uma mentoria aos empreendedores, hoje, a Gávea possui uma história que atrai empreendedores e investidores em torno de sua causa de fomentar a inovação e o empreendedorismo no Brasil.
Com processos desenvolvidos ao longo de duas décadas, que são a base de seu manual de operações, a Gávea Angels é procurada não só pelas startups que buscam capital, mas também por outros grupos de anjos que querem atuar como co-investidores em nossas investidas e por investidores que querem aprender a investir nesse tipo de empreendimento, reduzindo os riscos envolvidos.
“É super importante compartilhar nossa experiência e contar o que já passamos. A Gávea Angels tem essa cabeça de evolução. Aprendemos muito entre os associados e com outros grupos de investidores-anjo”, diz Guilherme Fagundes, conselheiro-diretor da Gávea Angels. “Acreditamos muito no trabalho em rede. Não só a rede dos associados, mas também em conjunto com outros players”, diz Guilherme.
Para ganhar essa experiência reconhecida pelo mercado foi preciso, claro, superar alguns desafios. O próprio início pode ser considerado um deles, já que naquele momento o ecossistema das startups e dos grupos de anjos não era desenvolvido no Brasil. Foi preciso construir espaço, explicar o conceito, e demonstrar que o investimento anjo poderia valer a pena.
Ernesto Weber, que fez parte do grupo de primeiros investidores individuais e foi o primeiro presidente da Gávea Angels, lembra que no início houve um salto nos investimentos, mas que a crise financeira de 2007 desacelerou esse processo.
“Conseguimos um certo impulso no início, mas sofremos muito quando veio a crise de 2007 e o dinheiro sumiu. A associação ficou quase inativa até 2010, quando retomou os seus fóruns de apresentação das startups”. E esse foi um retorno importante, que resultou no primeiro grande investimento da Gávea Angels: a Descomplica, uma edtech que começou oferecendo aulas online para ajudar os alunos a passarem no Enem e, hoje, oferece também cursos de pós-graduação e tem cerca de 5 milhões de usuários por mês.
Uma mulher na presidência
O ano de 2016 pode ser considerado um marco porque foi quando Camila Farani assumiu a presidência do grupo. Foi a primeira mulher à frente de um grupo de investimento-anjo no país. Para além desse marco, a chegada dela à presidência trouxe uma nova forma de gestão e governança, com foco em nacionalizar a Gávea, que até aquele momento fazia apenas reuniões presenciais no Rio de Janeiro. A partir de então, outras duas praças ganharam espaço: São Paulo e Belo Horizonte.
Além dessa expansão, o processo de seleção das startups mudou. Até ali, usava-se o sistema match makers, pelo qual as startups participavam das reuniões em uma sala com diversos investidores.
“Ali era onde começava e terminava o trabalho da Gávea Angels, que fazia o match maker dos indivíduos que estavam presentes e todo o resto era tocado por cada um dos investidores”, explica Jorge Rocha, conselheiro-honorário do grupo que, naquele momento, liderava as atividades da Gávea em São Paulo.
Hoje, as startups são selecionadas em um fórum, quando é definido o grupo de análise multidisciplinar, que fará uma diligência para conhecer a real situação da empresa e, se for o caso, apresentar uma proposta de aporte de capital. “O valor a ser investido é dividido em cotas e cada associado define com quantas cotas quer e se quer participar da rodada. Assim, cada decide o valor cabe no seu bolso”, diz Jorge.
Essa metodologia, criada no núcleo de São Paulo, se tornou nacional impulsionada pelas restrições impostas pela pandemia da Covid-19. Foi quando as reuniões passaram a ser online e sem a separação por cidades. Tal processo está descrito no manual de operações que norteia o trabalho de todos os membros da Gávea Angels e de sua liderança,
O segredo da Gávea Angels
Uma das principais razões de sucesso da Gávea Angels é o perfil do seu quadro de associados e o trabalho colaborativo de todos na associação. “A liderança da Gávea Angels e o trabalho de seleção, análise, investimento, mentoria das startups é 100% pro bono. É um trabalho voluntário em prol do empreendedorismo e inovação no Brasil” explica Cecília Andreucci, Associada Investidora e ex Conselheira-Diretora. Todos os associados são sempre estimulados a participar não só dos fóruns, mas das várias inciativas da entidade. “É aí que a mágica acontece – quando mais aprendemos e mais contribuímos”, afirma Cecília.
Cases de sucesso e o futuro depois de 20 anos
Toda a evolução da Gávea Angels, que traz a contribuição de cada um passou pelo grupo, se reflete em investimentos cada vez melhores. Como todo grupo de investimento-anjo, existem aquelas investidas que não saem como o esperado, com desempenho fraco ou até encerramento das atividades. Mas a forte governança, a preocupação em ter métodos estruturados, bem documentados, agilizam os processos, reduzem os riscos e têm ajudado a Gávea a consolidar a sua reputação.
Entre os cases de sucesso está o da Bit Capital, plataforma de open banking na qual a Gávea Angels investiu em 2020 e, apenas seis meses depois, vendeu sua participação para a AME, Fintech que pertence às Lojas Americanas. Segundo Jorge, foi um ótimo negócio em um prazo muito curto, o que não é comum de acontecer, já que as saídas dos investimentos se dão geralmente entre 3 e 5 anos.
Agora, quando dá o primeiro passo na sua terceira década de vida, a Gávea tem o desafio de seguir crescendo sem perder a sua essência, sua cultura de colaboração, e buscando ser um grupo cada vez mais diversos. Num meio ainda muito masculino, a associação quer atrair mais mulheres investidoras e empreendedoras, além de encontrar oportunidades de investimento de impacto socioambiental que sejam atraentes para seus associados.
Se uma história é feita de experiência e aprendizados, certamente a Gávea conseguiu incorporar o que de melhor aprendeu ao longo desses 20 anos e está pronta para aprender cada vez mais com esse ecossistema do qual faz parte.